Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Outdoors das Intervenções na Cidade já estão na rua

O concurso de Ideias Intervenções na Cidade serviu de motivo para a apresentação de propostas de requalificação de diversos espaços urbanos da área de Lisboa, como forma de promover um debate sobre o seu potencial em benefício de um uso público ou de carácter colectivo. As 15 propostas seleccionadas estão agora expostas em painéis de grandes dimensões, nos locais para os quais foram pensadas, nomeadamente: Graça, Segunda Circular, Doca do Poço do Bispo, Costa do Castelo, Praça da Alegria, Avenida Padre Cruz, Largo Duque do Cadaval, Rua da Bela Vista à Lapa, Avenida de Berna, Avenida da República, Largo de Santa Apolónia, Rua de São Bento, Pátio do Aljube, Rua 1º de Maio e Avenida Infante D. Henrique.

Fica o registo visual dos cartazes de cada uma das propostas com respectiva ligação aos seus textos de apresentação, para ver e comentar aqui no blogue da Trienal.

 

 

A Segunda Circular

Ateliermob - Arquitectura, Design e Urbanismo, Lda

 

A Cidade como teatro de espectáculos; o vazio como palco de operações

Maria João Fonseca e Maria Quintino

 

Arquitectura de Ausência

Rodolfo Reis com David Abondano e Kenzo Yamashita

 

Doca do Jardim do Tabaco

Marco Simões da Silva e Daniela Trigo Lopes

 

ECO-KIT Praça da Alegria/Lisboa

Moov

 

Investimentos Imobiliários de Intervenções

AUZProjekt

 

Largo Duque do Cadaval/Lisboa

Pedro Dias e Pedro Pereira

 

Antiga Fábrica de Gás da Matinha – Lisboagás

Sofia Brogueira Henriques com Madalena Serro, Bruna Parro e Madalena Caiado

 

Lote na Rua da Bela Vista à Lapa

Pedro Barata Castro e Pedro Ribeiro

 

Praça de Espanha

Ivo Poças Martins

 

Quarteirões Novos para as Avenidas Novas

Tiago Simas Freire e Tiago Farinha

 

Reinterpretação da Praça de Santa Apolónia

João Albuquerque e Nuno Galvão

 

Salas de Chuto

Paulo Moreira e Diogo Matos

 

Teatro Romano de Lisboa

Ana Maria Ribeiro Lopes e Tiago Mestre

 

Tecto Habitado

Paulo Miguel de Melo com Maria João Correia e Luís Maria Baptista

 

publicado por trienaldelisboa às 23:29
permalink | comentar
Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

Debate Intervenções na Cidade

 

Os projectos seleccionados no âmbito do Concurso Público de Ideias Intervenções na Cidade foram apresentados numa sessão de debate no Fórum Trienal, no passado dia 19 de Julho. As 15 propostas seleccionadas, que podem ser vistas no Pólo I da Trienal até 31 de Julho, serão alvo de exposição pública através de painéis de grandes dimensões a instalar nos locais para os quais foram pensadas.

 

O Concurso Intervenções na Cidade registou um número recorde de participações, contabilizando centena e meia de propostas. Tratou-se do maior número de participações de sempre em concursos organizados pela Ordem dos Arquitectos.

Promovido pela Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos no âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa, o concurso de ideias Intervenções na Cidade propunha que arquitectos e outros cidadãos (desde que com a coordenação obrigatória de um arquitecto ou de um arquitecto estagiário) apresentassem propostas para os espaços urbanos de Lisboa com potencialidade de serem requalificados para uso público ou terem carácter colectivo.

 

publicado por trienaldelisboa às 18:54
permalink | comentar
Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

Intervenções na Cidade vão estar na rua


 

As 15 propostas seleccionados no âmbito do Concurso Público de Ideias Intervenções na Cidade vão ser publicamente expostas em painéis de grandes dimensões, nos locais para os quais foram pensadas. Os outdoors serão afixados durante os próximos dias e pretendem promover o debate sobre a requalificação idealizada para os lugares em questão.

 

The 15 selected proposals of the Competition of Ideas “Interventions in the City” will be exhibited “in-situ”. For this purpose, an outdoor panel will be installed, showing each selected intervention proposal. These panels of large dimensions aim to instigate a debate on the requalification of the place under questioning.

 

publicado por trienaldelisboa às 14:39
permalink | comentar
Sábado, 26 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade – Tecto Habitado

 

Tecto Habitado

Paulo Miguel de Melo com Maria João Correia e Luís Maria Baptista

 

A proposta:

O TECTO HABITADO, é uma estrutura espacial que pretende reflectir e ser o reflexo à escala humana da presença física dos pilares e do tabuleiro da ponte.

O TECTO HABITADO, é uma galeria de arte com células de produção artística individual de carácter temporário, que cria um duplo espaço de exposição colectiva, ao nível do solo e dentro do tecto.

O TECTO HABITADO, é uma estrutura de espaço que constrói três níveis de experimentação /vivência humana distintos: 1º- praça coberta ao nível da cota da rua – recinto público para exposições e eventos colectivos. 2º- tecto habitado – células de criação / produção / exposição resultante do trabalho individual dos artistas residentes. 3º- Cafetaria suspensa entre os pilares da ponte com vista panorâmica sobre o rio e a cidade a 35m de altura.

Todos os acessos verticais são realizados através do interior dos pilares da ponte que são ocos. Um para escadas, outro para elevadores.

O TECTO HABITADO, é uma estrutura espacial que convida o transeunte desprevenido a experimentar a novidade programática que propõe em relação aos conteúdos existentes na zona de intervenção.

O TECTO HABITADO é uma plataforma – malha cúbica - construída a 4 m do solo, com 4 m de espessura / altura , estruturada quase na totalidade do espaço vazio existente, por cheios e vazios, de secção cúbica / quadrada, geometricamente e uniformemente definidos e distribuídos de acordo com a orientação e a secção dos pilares da ponte. Os Cheios (caixas) possuem a mesma secção da área de implantação dos pilares e os vazios (clarabóias) têm em largura metade dessa medida. No canto norte - poente, no espaço não coberto pela malha cúbica, situa-se um pequeno pátio/jardim com um afloramento rochoso e uma árvore.

 

O que disse o júri

Esta proposta debruça-se sobre um espaço que é sempre difícil de requalificar: a parte inferior da Ponte 25 de Abril. Pegando num vazio urbano e aproveitando a estrutura da própria ponte propõe-se um “tecto habitado” cujo resultado formal não só é interessante como parece viável tendo em consideração o programa proposto: residência para artistas.

 

Contributo para uma reflexão:

As grandes infra-estruturas instituem muitas vezes, sobre o território que ocupam, não-lugares – espaços não relacionais e sem função social. Este núcleo suspenso de células modulares pretende resgatar um desses espaços, albergando funções de residência, produção e exposição artística. Esta nova realidade funcional dá assim origem a uma praça coberta, em que o lugar colectivo do plano horizontal se torna reactivo da estreita convivência com as tensões e fluxos do organismo modular que sobre ele se suspende.

 

Inhabited ceiling / Suspended housing

Paulo Miguel de Melo with Maria João Correia and Luís Maria Baptista

 

The proposal (summary):

A suspended structure that reflects the human presence and scale to the setting underneath the bridge. The Inhabited Ceiling is an art gallery composed by modular cells that hold artistic functions. The ground level becomes a covered square for public and collective use; the ceiling becomes a composition of suspended modules for artistic production, exhibition and temporary residences.

 

What the jury said:

This proposal aims for a site of difficult qualification: the space beneath the bridge. Capturing an urban void and using its existing structure, it introduces an “inhabited ceiling” of an interesting design and a surprising practicality, considering the new functional program: an artistic residence.

 

Contribute for a reflection:

Large infrastructures often establish non-places over the territory – non relational spaces, devoid of social function. This suspended organism composed by modular units attempts to recover such a space, hosting several functions of artistic nature. This new functional reality introduces a covered square for collective use, in direct relationship with the cells suspended from above.

 

publicado por trienaldelisboa às 10:37
permalink | comentar

Intervenções na Cidade – Teatro Romano de Lisboa

 

 

Teatro Romano de Lisboa

Ana Maria Ribeiro Lopes e Tiago Mestre

 

A proposta:

Propõe-se a remoção total das coberturas metálicas que actualmente abrigam o local, a limpeza sistemática da ruína deixando somente os elementos em pedra e alvenarias, a remoção de todo o paramento que actualmente faz a ligação, pela Rua de S. Mamede, ao museu, a reconstrução de todo o sistema público de ruas em lajetas em lioz com dimensões variáveis, a inclusão de guardas metálicas sobre cada uma das três áreas de escavação, a implementação de uma pequena cafetaria reutilizando a pequena construção existente sobre a plataforma mais a Sul e um sistema de iluminação geral que valorize o conjunto durante a noite.

Mais uma vez, a tecnologia construtiva joga aqui um papel de grande importância pois, sendo ela uma das matérias em que a arqueologia se debruça é também ela que virá afirmar e diferenciar os elementos que esta proposta desenha. É esta linha sinuosa de contacto entre o “aparelho” de pedra que constrói o sistema pedonal e os vestígios construídos que lhe servem de base que se constituirá como chave para a leitura e entendimento do Lugar, do Teatro Romano, do passar do Tempo.

 

O que disse o júri:

A proposta que basicamente propõe retirar a cobertura das ruínas do teatro Romano de Lisboa tem o mérito de defender uma integração das mesmas no tecido urbano da cidade contemporânea reclamando o seu uso quotidiano e contrário a uma ideia de património arquitectónico musealizado ao ponto de se tornar inútil.

 

Contributo para uma reflexão:

Se um museu é, por definição, um espaço de democracia no que respeita ao acesso à arte e à cultura, conceber um espaço-museu é abri-lo à vivência pública e torná-lo, ele mesmo, em espaço vivo e vivido. É esse o repto da proposta de Ana Maria Ribeiro Lopes e Tiago Mestre, que fazem abrir à cidade as ruínas do teatro Romano de Lisboa. No seu desenho, fazem coexistir novos acessos pedonais com o conjunto museológico, integrando apontamentos funcionais que permitam dotar o espaço de um percurso próximo e uma experiência mais íntima.

 

Roman Theatre of Lisbon

Ana Maria Ribeiro Lopes and Tiago Mestre

 

The proposal (summary):

The removal of a pre-existing metal cover reveals the ruins of the ancient Roman Theatre of Lisbon. The project attempts to make it more visible and attractive for participation, introducing a new access grid with suspended passages. Complementary functions – a new lighting system and a small coffee-shop – extend the possibilities of experience and sustain a better understanding of the place.

 

What the jury said:

This proposal has the merit of defending an integration of the ruins in the urban context, claiming for a daily use that is contrary to the idea of static archaeological site, unlived and useless.

 

Contribute for a reflection

By opening the ruins of the Roman Theatre of Lisbon, Ana Lopes and Tiago Mestre attempt to make it more alive and accessible. The design integrates new walkways with the existing setting, introducing complementary functions that allow for a closer and more intimate experience with this important historic heritage.

 

publicado por trienaldelisboa às 10:34
permalink | comentar
Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade – Salas de Chuto

 

 

Salas de Chuto

Paulo Moreira e Diogo Matos

 

A proposta:

O edifício é anónimo, uma construção simples e serena para um programa controverso. A intervenção propõe continuidades com as pré-existências, abordagem que reflecte o desejo de aceitação social pretendida pelos futuros utilizadores. O programa articula-se ao longo de cinco pisos: entrada, recepção, auditório, sala de espera, salas de chuto, serviço de reabilitação e reinserção social, cafetaria e serviços administrativos. O edifício é espelhado, o que permite aos seus utilizadores contemplar a cidade sem que sejam vistos do exterior. A reflexão do Palácio de S. Bento transmite a vontade de integração na sociedade de indivíduos marginalizados.

 

O que disse o júri:

Trabalho provocador de tom irónico que propõe a edificação de uma “sala de chuto” num vazio urbano em frente à Assembleia da República. Com um alçado que se torna no reflexo do contexto envolvente, evoca-se uma leitura de integração do toxicodependente na sociedade que é assumida no compromisso que responsabiliza conjuntamente política e arquitectura, enfatizando a responsabilidade social também do arquitecto.

 

Contributo para uma reflexão:

Paulo Moreira e Diogo Matos materializam a ironia de um edifício-espelho para albergar salas de injecção medicamente assistida. Um espelho para preencher um vazio urbano ou para ocultar o vazio humano da toxicodependência – mais do que uma proposta arquitectónica, uma metáfora de uma realidade social e política que habita os vazios profundos que se encerram na vida das nossas cidades.

 

Assisted recovery center (drug rehab)

Paulo Moreira and Diogo Matos

 

The proposal (summary):

An anonymous building, a simple and serene construction to shelter a controversial program. The intervention establishes continuity with its surroundings; an approach that reflects the desire for social acceptance. The building has a mirrored façade, allowing its users to observe the city without being seen. The reflection of the Parliament echoes the will for social integration of marginalized individuals.

 

What the jury said:

A provocative work of ironic nature that proposes an assisted recovery centre in an urban void standing in front of the Parliament building. With a mirrored exterior that reproduces its surroundings, it dramatizes the need for social integration of drug addicted citizens.

 

Contribute for a reflection:

Paulo Moreira and Diogo Matos materialize a mirrored building to shelter medically assisted drug rehab rooms. A mirror to fill an urban void but also to conceal the human void of drug addiction – more than an architectural design proposal, a metaphor for a social and political reality that dwells in the deep voids of our cities.

 

publicado por trienaldelisboa às 08:58
permalink | comentar
Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade – Reinterpretação da Praça de Santa Apolónia

 

 

Reinterpretação da Praça de Santa Apolónia

João Albuquerque e Nuno Galvão

 

A proposta:

Ao mesmo tempo que imaginávamos as possibilidades contidas numa praça como esta éramos forçados a reconhecer as limitações presentes em qualquer projecto – os limites da intervenção. Neste ponto decidimos investir apenas no rectângulo que define a praça conscientes de que uma intervenção como esta implicaria um investimento sustentado no tecido envolvente. Exemplos disso são o arranjo dos passeios que ligam à praça e um projecto que usasse o edifício da estação de Santa Apolónia como um interface de comboio, metro, autocarro, táxi, viatura particular e trânsito pedonal. Neste último seria evidente uma ligação subterrânea entre o estacionamento e a estação. É a partir destes limites que traçámos uma grelha que marca a praça.

Esta mesma grelha, conceptualmente, é deformada pelos fluxos e pelos pontos de torção situados nas arestas de conflito entre os dois edifícios principais aí existentes, Santa Apolónia e o Colégio Militar.

É sobre esta mesma grelha deformada e informada (pelas contingências locais) que a evolução projectual decorre, definindo circulações e vivências a estrutura e estereotomia do seu revestimento.

 

O que disse o júri:

Esta proposta para o Largo da Estação de Santa Apolónia denúncia um espaço que apesar de formalmente consolidado não consegue integrar de forma pacífica os diferentes atravessamentos. A proposta assume-se na vertente de clarificar zonas estáticas e dinâmicas de um espaço incontornável da cidade.

 

Contributo para uma reflexão:

Um exercício de design urbano que parte de um pressuposto teórico forte: dramatizar as tensões e os fluxos de uma praça para com eles formalizar torções espaciais. A modelação da plataforma resulta em consequência desses movimentos espaciais e através deles traça os seus sentidos de percurso. O resultado é tão espectacular quanto funcional, fazendo conviver as diversas “layers” de circulação e desbloqueando conflitos para tornar mas pacífica a sua vivência.

 

Reinterpretation of Santa Apolónia Square

João Albuquerque and Nuno Galvão

 

The proposal (summary):

As we envisioned the potential of this particular square we were also troubled by its limitations. We decided to invest in the main platform, aware that such intervention would imply the consideration of its surroundings. To provide for the needs of the central building, a multi-transport interface, a new public walkway was proposed. Also, an underground connection between the parking space and the station was necessary. From these features, a grid was created to accentuate the nature of the square. This grid was then deformed by the local circulation flows. It’s this grid, deformed and informed by existing contingencies, that becomes the centrepiece of the project, defining its structure and design.

 

What the jury said:

This proposal brings clarity to a space that is unable to peacefully integrate its multiple crossings. It clarifies the relation between static and dynamic areas in a central square of the city.

 

Contribute for a reflection:

A design exercise that has a strong theoretical basis: to dramatize the tensions and flows of an urban square in order to conceptualize its spatial solutions. The central platform is modelled in consequence of those spatial movements. The result is as spectacular as it is functional, integrating its multiple layers and purging circulation conflicts to create a more peaceful urban experience.

 

publicado por trienaldelisboa às 20:48
permalink | comentar

Intervenções na Cidade – Quarteirões Novos para as Avenidas Novas

Quarteirões Novos para as Avenidas Novas

Tiago Simas Freire e Tiago Farinha

 

A proposta:

Em qualquer cidade de herança cultural ocidental se coloca a mesma questão inadiável. Para quê crescer por fora quando precisa e pode crescer por dentro? As cidades alastram-se difusas invadindo desconexamente os territórios envolventes enquanto o(s) centro(s) de origem se desertifica(m). É preciso inverter este processo. A cidade que chamamos consolidada esconde em si cidades invisíveis. Dentro desta sua consolidação obsoleta, lugares esquecidos precisam ser vistos como laboratórios de uma modernização da densidade urbana. Uma densidade nova que responde às exigências de mobilidade e acessibilidade da vida do homem urbano contemporâneo. A proposta, mais que desenho, é a abertura a uma política de desenho, que é uma política de reabilitação e reciclagem da cidade. Não acreditamos nem defendemos arquitecturas de desenho ambicioso quando questões mais latas de base conceptual são o fundamento da problemática e o ponto de partida necessário ao pensamento urbano. O lugar urbano que escolhemos como laboratório é o bairro das avenidas novas. Pela sua escala, desenho e estado actual apresenta todas as potencialidades para renascer como exemplo desta densidade nova. Neste lugar é urgente deixar de pensar a cidade lote a lote transferindo a unidade de projecto para a escala do quarteirão e para as relações inter-quarteirões dentro do bairro. O processo de prática deste pensamento implicará, naturalmente, a complexidade de muitos acordos entre diversos proprietários, utilizadores, investidores.

Mas é exactamente disso que se trata a cidade - relações humanas. É mais fácil quando vivemos mais juntos, por isso inventámos as cidades.

 

O que disse o júri:

Esta proposta tem o mérito de polemizar a questão do crescimento ilimitado da cidade, proposto como alternativa ao modelo da dispersão “fora de portas” uma densificação do centro, mais especificamente dos interiores dos quarteirões da Avenidas Novas. A construção de percursos alternativos, a apropriação pública de espaços invisíveis ao quotidiano da cidade, reivindica uma dinâmica que se justifica discutir.

 

Contributo para uma reflexão:

A dupla Tiago Freire e Tiago Farinha avançam com uma proposta teoricamente interessante: inverter o sentido de crescimento urbano especulando volumetrizações internas a uma malha consolidada. Faz-se assim nascer uma nova silhueta edificada, resultante de corpos verticais e horizontais que interligam o núcleo de uma sequência de quarteirões. Uma proposta diferente que faz reflectir sobre a relação entre cheios e vazios da cidade, numa apropriação de espaços adormecidos por novas funções que lhes restituam o sentido de uma cidade mais vivida por dentro.

 

Urban district

Tiago Simas Freire and Tiago Farinha

 

The proposal (summary):

Western cities share a common cultural heritage and pose similar questions. Why sprawl when they should grow within. Cities invade their surrounding territories while their centres are abandoned. This process must be reversed. Forgotten places can be seen as laboratories for a modern intervention concerning urban densification – a new density to provide for the demands of mobility and accessibility of contemporary urban life. The proposal, more than a design object, relies in the construction of a new design policy, to rehabilitate and recycle the city.

 

What the jury said:

This proposal has the merit of raising concern to the issue of unlimited city growth, offering an alternative model of centre densification, focusing on the interior of a specific Lisbon urban district. The creation of new corridors and the public appropriation of invisible spaces call for a new dynamic that justifies the debate.

 

Contribute for a reflection:

Tiago Freire and Tiago Farinha forward a proposal of great theoretical interest: to reverse the direction of urban growth through the juxtaposition of new volumes inside the urban grid. A new silhouette is defined by vertical and horizontal interconnected buildings that attach the core of existing blocks. An original plan that reflects upon the relation between dormant spaces and new potential functions that can restore the sense of a city that is lived from within.

 

publicado por trienaldelisboa às 20:40
permalink | comentar
Sábado, 19 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade – Praça de Espanha

 

 

Praça de Espanha

Ivo Poças Martins

 

A proposta (resumo):

(...) A praça de Espanha, embora situada no interior da cidade, tem um significado de lugar de transição. Funciona como um grande vazio urbano: um espaço arborizado contornado e cruzado por vias de grande fluxo. No seu centro, um arco triunfal, reaproveitado de outro local de Lisboa, marca timidamente que este espaço é também uma porta. O Arco triunfal, para além de lembrar algum esquecido feito histórico, celebra a ausência de muros: o seu derrube ou simplesmente o facto de não serem precisos. A liberdade de movimentos aumenta à medida que se expandem e diluem os limites da cidade. O espaço público representa uma conquista colectiva e a porta giratória monumental (à escala do espaço que serve) no lugar do antigo arco, relança o debate sobre a necessidade de conquistar este lugar de transição. A rotunda e a via rápida deixariam de existir como resposta imediata no desenho da cidade.

Fica no entanto a memória do ritual antigo: o monumento, que se quer estático, induz o movimento de rotação dos carros. Os painéis de vidro e alumínio misturam as imagens que enquadram à transparência com as que reflectem. O museu, a embaixada, o teatro, a mesquita, o mercado e as casas ganham aqui um novo espaço de interacção à medida que o jardim isolado que escondia um monumento antigo vai sendo redescoberto. A praça recupera o seu significado de fórum servindo de suporte às actividades que a limitam.

 

O que disse o júri:

Excepcionalmente admitiu-se uma proposta de carácter “escultórico”: uma “porta giratória” sobredimensionada, para a Praça de Espanha, no lugar da Porta existente que se propõe deste modo devolver ao seu local de origem (São Bento). A Praça de Espanha pouco tem de praça, com esta proposta afirma-se o seu carácter de passagem rápida e motorizada, e chama-se atenção para o actual desenvolvimento das cidades inerente a uma ausência de “portas” ou limites. Bem argumentada, esta escultura é também uma metáfora que actualiza o sentido de Porta Romana numa Europa sem fronteiras.

 

Contributo para uma reflexão:

A intervenção de Ivo Poças Martins constitui-se como provocação urbana; uma grande peça escultórica – a “porta giratória” – serve de metáfora para um espaço de transição que, desse modo, se vê abandonado de um uso real. Um vazio preenchido de movimento, uma não-praça oculta pelo ritmo da vida quotidiana.

 

Praça de Espanha

Ivo Poças Martins

 

The proposal (summary):

The Praça de Espanha (square), although located inside the city, has the significance of a transitional space. It functions as a wide urban void crossed by lanes of intense traffic. A Triumphal arch – reallocated from another part of the city – stands in its center.

Public space represents a collective achievement. A monumental revolving door as a replacement of the old arch launches a new debate on the need to conquer this city square.

 

What the jury said:

Exceptionally, a proposal concerning a “sculpture” was allowed: an oversized “revolving door” as a replacement for an old pre-existing arch. Praça de Espanha is a square that lost its function. The proposal underlines this transitional nature, a dense circulation space that emphasizes the development of cities without “doors” or boundaries.

 

Contribute for a reflection:

This intervention by Ivo Poças Martins stands as an urban provocation; a large sculpture – the “revolving door” – as a metaphor for transience: a square devoid of real use; a non-square hidden by the rhythm and movement of daily life.

 

publicado por trienaldelisboa às 14:51
permalink | comentar

Intervenções na Cidade – Lote na Rua da Bela Vista à Lapa

 

 

Lote na Rua da Bela Vista à Lapa

Pedro Barata Castro e Pedro Ribeiro

 

A proposta:

A função proposta para o terreno, uma piscina pública, admite o acerto das pequenas piscinas vizinhas contrariando simultaneamente a sua exclusividade. Por ‘piscina pública’ entendemos algo definido num cruzamento entre os conceitos de piscina municipal, equipamento desportivo de utilização livre (tipo campo de futebol público) e Jardim urbano. Deverá garantir as condições de qualidade de uma piscina mundial (balneários, segurança), permitir uma utilização sem controlo de acesso, desde que não esteja lotada (como num campo de futebol público) e poder ser encerrada durante a noite mantendo a sua presença na cidade, como um jardim urbano.

Com um comprimento olímpico (50 metros) e três faixas, a piscina representa uma mais-valia também à escala da cidade, onde existem apenas três piscinas com o mesmo comprimento, (uma das quais privada), e em áreas relativamente periféricas (Olivais, Cidade Universitária e Restelo).

 

O que disse o júri:

Esta proposta tem o mérito de propor um equipamento público (piscina a céu aberto) num interior de um quarteirão da Lapa. A escolha do local, a imaginação inerente aos programas de actividades mensais propostos (desde os saltos de bicicleta aos barcos telecomandados) a qualidade da proposta arquitectónica e da sua comunicação justificam a sua selecção pelo Júri.

 

Contributo para uma reflexão:

Um vazio privado transformado em equipamento colectivo público e livre. Pedro Barata Castro e Pedro Ribeiro oferecem uma visão possível da inversão de realidades no espaço urbano e das suas possibilidades.

 

Urban lot - Rua da Bela Vista à Lapa

Pedro Barata Castro and Pedro Ribeiro

 

The proposal (summary):

A public pool is proposed for an empty lot, contrasting with the exclusive nature of the small private pools of the neighbouring units. It should guarantee the standards of a world-class pool and be fully accessible without restrictions.

 

What the jury said:

This proposal has the merit of proposing a public equipment (an external pool) in the interior of a vacant lot in the urban grid. The site and the imaginative functions proposed, the architectural quality and conceptual images justified the selection by the jury.

 

Contribute for a reflection:

A vacant lot transformed in a public and free collective equipment. Pedro Barata Castro and Pedro Ribeiro offer a view of an alternate reality, a functional inversion in the urban space and its possibilities.

 

publicado por trienaldelisboa às 14:48
permalink | comentar
Terça-feira, 15 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade – Antiga Fábrica de Gás da Matinha – Lisboagás

 

 

Antiga Fábrica de Gás da Matinha – Lisboagás

Sofia Brogueira Henriques com Madalena Serro, Bruna Parro e Madalena Caiado

Foto de Rui Pedro Benevides

 

A proposta:

TRANSPARÊNCIA – UMA QUALIDADE A PRESERVAR

As estruturas dos gasómetros – esbeltas e delicadas, hoje “volumes sem massa” – são construções excepcionais, desmaterializadas e incompletas. O olhar atravessa as estruturas e tem como plano de fundo o Céu e o Rio. As malhas estruturais finas dos gasómetros sobrepõem-se e surgem com maior clareza contra um fundo de cor sem forma definida.

Torna-se então importante garantir que o espaço à volta dos gasómetros permaneça livre, para que esta capacidade de “serem atravessáveis pelo olhar” não desapareça.

Propõe-se então a construção dos vários equipamentos apenas ao nível do piso térreo e nos limites do terreno, constituídos de uma matéria sólida e opaca, distinguindo-se das estruturas esbeltas dos gasómetros.

SUSTENTABILIDADE – USOS E ACESSIBILIDADES

Pela sua dimensão e escala, os gasómetros tornam-se uma referência no imaginário colectivo e são parte da identidade da cidade.

Hoje à margem da vida da cidade, torna-se imperativo resgatar este espaço para a cidade e, acima de tudo, dar-lhe um uso colectivo, público e social, que possa pôr em evidência o passado industrial ligado, outrora, à sustentabilidade da cidade.

PADRÕES DE USO SUSTENTÁVEL DO TERRITÓRIO

Pretende-se então que este território dê resposta à carência de equipamentos públicos existente na envolvente próxima, que se está a tornar cada vez mais de carácter residencial.

Apesar de encontrarmos no Parque Expo uma enorme concentração de equipamentos de excepção, a falta de equipamentos públicos de uso quotidiano é prova do “incompleto”/”mau” funcionamento interno desta parte da cidade.

Assim, a proposta prevê para esta área um espaço de carácter colectivo que possa ser suportado e suporte de uma envolvente sobretudo habitacional tornando-se parte de um sistema urbano articulado.

PROGRAMA:

USO EFÉMERO — GASÓMETROS que funcionariam como suporte de usos efémeros de excepção: concertos, exposições, teatros, espectáculos, desfile, palestras, (etc.) e permanentemente como Miratejo.

USO PERMANENTE — MURO que alberga as actividades de uso quotidiano: ginásio/balneários, creche/brincatório, centro-dia/centro de convívio, alguns espaços para ateliers, cursos, conferências e equipamento de apoio (wc, arrumos), zonas administrativas e estacionamento.

 

O que disse o júri:

Pela apropriação do espaço da antiga Fábrica de Gás da “Matinha”, espaço que, de facto, parece carecer de intervenção, pelo modo como requalifica e potencia as suas formas industriais, pelo seu programa de carácter social e modo como propõe compatibilizar actividades de carácter efémero, pela qualidade das imagens que comunicam a proposta. 

 

Contributo para uma reflexão:

Uma grande estrutura industrial apropriada para um uso lúdico é a provocação lançada por Sofia Brogueira Henriques. Tornar um espaço hostil à escala humana em palco para encontros improváveis, abertos a uma vivência que lhe julgaríamos impossível. A proposta fica também como pergunta: pode a cidade regenerar-se partindo de não-lugares pré-existentes, dando lugar a outras formas de existência urbana mais plena de vida?

 

Antiga Fábrica de Gás da Matinha – Lisboagás

Sofia Brogueira Henriques with Madalena Serro, Bruna Parro and Madalena Caiado

Image by Rui Pedro Benevides

 

The proposal (summary):

Gasometer structures – graceful and delicate, “volumes without substance” – are exceptional constructions, dematerialized and incomplete. The view crosses these structures and finds the Sky and the River as background. It becomes important to preserve the transparency of this great apparatus.

For its dimension and scale, gasometers become a reference to the collective conscience and become a part of the city’s identity. It’s imperative to retrieve this space to the city and, above all, to provide it with a collective, public and social use. A proposition is made to transform these empty structures into a stage for ephemeral functions: concerts, exhibitions, theatre plays, parades.

 

What the jury said:

For the way it retrieves a space that lacks intervention; for the way it qualifies and accentuates its industrial forms; for its social program and compatibility with ephemeral activities; for the quality of the images that communicate the proposal.

 

Contribute for a reflection:

A wide industrial structure reclaimed for a playful use is the provocation launched by Sofia Brogueira Henriques. To turn a space that is hostile to the human scale into a stage for unpredictable encounters, open to a livelihood that we would deem impossible. The proposal stays as an interrogation: can the city regenerate itself from within, from its pre-existing non-places, creating new forms of urban existence, more filled with life?

 

publicado por trienaldelisboa às 21:01
permalink | comentar
Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade – Largo Duque do Cadaval/Lisboa

 


 

Largo Duque do Cadaval/Lisboa

Pedro Dias e Pedro Pereira

 

A proposta:

A proposta visa se enquadrar no Plano de Reabilitação da Baixa Pombalina, enquanto contributo para a discussão pública em torno do mesmo, em particular nos motivos pelos quais este espaço, com características únicas na cidade, não se encontra incluído em qualquer das suas respectivas Unidades Operativas de Reabilitação (UOR)... (?)

O Largo do Duque do Cadaval, ainda que situado no coração da Baixa (na confluência de 6 importantes praças, cada uma delas com o seu edifício ou monumento referência...ver dossier A4), há muito que caiu no “vazio do esquecimento”... É um espaço de transição, de passagem, desprezado, não referenciado, frequentado essencialmente por turistas que utilizam a Calçada do Duque nas suas deslocações entre o Bairro Alto e o Rossio... Praticamente ninguém o conhece ou se lembra que o mesmo existe...

No entanto, enquanto “espaço de oportunidade” para o desenvolvimento de uma proposta de intervenção na cidade, o seu potencial é enorme: Localização privilegiada no contexto da cidade, vistas únicas para o Castelo e Rossio, existência no local da Estação de Comboios do Rossio, proximidade a 2 estações de metro...

A solução, contemplada nesta proposta, passa então pela colocação nesta praça de uma equipamento que se afirme tanto no contexto local da Baixa como da cidade, que seja motivo de paragem, de deslocação propositada, que atraia pessoas a este espaço e que utilize o potencial das vistas únicas sobre a cidade como “isco”... No fundo, o que este espaço necessita é de um Edifício Referência que colmate este vazio...

 

O que disse o júri:

Esta proposta formalmente e propositadamente semelhante à da Casa da Música de Rem Koolhaas, tenta reclamar a atenção sobre um espaço central (Largo Duque do Cadaval ao Rossio), degradado, fragmentado e com uma edificação carente de qualidade arquitectónica. Defende-se que um edifício de qualidade, não tendo que ser necessariamente o proposto, possa requalificar este vazio.

 

Contributo para uma reflexão:

Uma visão da grande peça de betão branco de Koolhaas projectada para o sopé da Calçada do Duque, metáfora para o poder da arquitectura como regenerador de referências, mesmo em território ferido pelas contingências do abandono funcional. A proposta de Pedro Alexandre Duarte da Gama Dias é um curioso exercício sobre as possibilidades da arquitectura como suporte ao inesperado, motivo de regeneração dos sentidos e das vivências do tecido fino que constrói a cidade.

 

Largo Duque do Cadaval/Lisbon

Pedro Dias and Pedro Pereira

 

The proposal (summary):

A passageway of transition, a place ignored and forgotten, devoid of references. And yet, a “space of opportunity” for the proposal of an urban intervention of great potential.

A solution is presented, the implanting of an equipment that stands both in a local perspective as well as in the context of the city. An object that is able to attract people and make use of the magnificent views over the urban landscape. Ultimately, what this space needs is a referential building to fulfill the existing void.

           

What the jury said:

This proposal, formal and deliberately similar to the Casa da Música by Koolhaas, reclaims the attention towards a depreciated central space, shattered and lacking a surrounding architectural quality. A quality building is defended, not necessarily the one that is represented, but a strong architectural piece to qualify this void.

 

Contribute for a reflection:

A vision of the prominent white concrete building authored by Koolhaas, projected as a metaphor for the power of architecture. The proposal by Pedro Alexandre Duarte da Gama Dias is a curious exercise on the possibilities of architecture as a support to the unexpected, regenerator of the fragile fabric of the city.

 

publicado por trienaldelisboa às 13:55
permalink | comentar | ver comentários (2)

Intervenções na Cidade – Investimentos Imobiliários de Intervenções

 


 

Investimentos Imobiliário de Intervenções

AUZProjekt

 

A proposta:

A i.i.i. – Investimentos Imobiliários de Intervenção põe ao seu dispor uma vasta gama de espaços prontos a servir os seus projectos. Agora os seus sonhos já podem ter lugar; escolha o sítio que mais convém à sua ideia. É fácil e é de graça! Ver para crer! Aproveite já esta oportunidade! Pois, esta é uma oferta limitada ao stock existente.

2 O nosso intuito é incentivar o vislumbre das potencialidades da cidade actual para servir o carácter colectivo das aspirações das populações. A procura do verdadeiro benefício de um uso público assume, nesta proposta, a materialidade das coisas simples. Simples de pensar e executar. Abrem-se velhas portas! Na exposição de uma alternativa ao esquecimento (ocultação pública) queremos (quereremos mesmo?) requalificar as expectativas de justiça. Dar outro sentido ao urbano; menos contentor de acontecimentos, mais vida. Uma manifestação duma vontade comum emergente da leitura do discurso de uma identidade colectiva.

3 Mais que o diálogo alargado (afinal é de intervenção concreta que oferecemos), pretende-se que o re-revelar de desejos incite à observação do encolher de ombros (em vez do abrir dos braços). Em vez de uma resposta, espera-se o silêncio imposto pelas crenças na impossibilidade de construir com as próprias mãos. E todos têm o direito. Porque nunca é de mais relembrar que sabemos, que cidade temos. E se os fogos devolutos são 16% dos fogos ocupados, não podemos escondê-lo. É preciso exibir essa grande parte da cidade, enorme campo de homogéneo e omnipresente vazio.

4 Porque quando por todo o corpo da cidade os sinais se multiplicam, até que cada ponto singular (vazio de sentido) enforma uma mancha única de carácter ribossomático (rizoma à escala do território), esta confunde-se com a própria aura de Lisboa. É nas reticências do etcetera deste lugar (à parte dos pedaços definidos do organismo) que mora a oferta quantitativa oculta no movimento do acontecer que se toma como local de intervenção.

5 Na dispersão de um problema específico de sobre-urbanidade abrem-se espaços que “desdensificam” a cidade instituída e permitem potencializar a participação num ordenamento alargado. Na verdadeira apropriação física do vazio urbano, toda a cidade é de todos. Destruir construindo! (Ou melhor, construir destruindo!) Porque são os valores dos contextos transaccionais destes lugares que os esvaziam enquanto espaços e os tornam objectos, para, a seguir, num movimento reverso, a unidade do seu vazio pedir a actuação duma chave-mestra, objecto de salvação para a cidade.

6 De novo, arquitectura objecto (para um lugar sem forma definida). De novo, o arquitecto defende a cidade, já não empenhado no desenho da muralha da fortaleza, mas actuando nela. E como Vitrúvio ocupamo-nos do desenhos das armas que defenderão a cidade. Não expulsaremos desta República (outra vez pública) todos os poetas (não somos platónicos), ...apenas, eliminamos algumas portas. (Processo de subtracção – menos é mais). Por que é melhor o vazio de um não-projecto que a contínua manufactura da projecção de uma produção que, densificando o imaginário, o atravanca funcionalmente lançando-o no encantamento de uma deriva sem retorno à própria lógica de cidade.

7 O objecto final produzido (talvez uma escultura) compreende essa dupla dimensão ética. Assume-se como lápis, ferramenta para o projecto, mas torna ridículo o problema da folha em branco. O medo do vazio criativo é quebrado pela posse e manipulação da arma (aríete). Nas novas condições técnicas o cidadão-arquitecto percepciona uma realidade capaz de se abrir para a construção Da Justiça. Então o vazio torna-se imperativo ético e cabe a cada um (o mesmo é dizer a todos) decidir. Oportunidade única! Invista! (na verdadeira acepção da palavra) O vazio espera por nós!

 

O que disse o júri:

Pelo modo crítico como aborda um problema social – a imensidão de casas devolutas (vazios) numa cidade onde a habitação de qualidade é inacessível a grande parte dos seus cidadãos; a atenção sobre a quantidade destes vazios expostos; a reivindicação da sua ocupação traduzida na metáfora da construção de um “aríete-lápis” responsabilizando o arquitecto no desenho destes vazios suscitou a unanimidade do Júri.

 

Contributo para uma reflexão:

Uma participação provocadora – o lápis como metáfora para um instrumento destruidor da ausência de intervenção. O debate lançado pela AUZProjekt reside afinal num apelo à turbulência criativa, ao serviço de uma sempre urgente regeneração urbana.

 

Investimentos Imobiliários de Intervenções

AUZProjekt

 

The proposal (summary):

An object – possibly a sculpture – assuming the form of a pencil that can be used as a weapon and destroy the fear of the creative void. The void becomes an ethical imperative, to be intervened by all the inhabitants of the city.

           

What the jury said:

For the critical approach to a social problem – the innumerable empty houses in the city, in which quality housing is inaccessible to a great number of citizens; the claim for intervention through the metaphor of a “pencil-weapon” – it received unanimous recognition from the jury.

 

Contribute for a reflection:

A provocative participation – the pencil as the symbol of a tool that is capable of demolishing the absence of intervention. The debate launched by AUZProjekt resides in the appeal for creative turbulence, to serve a much needed urban regeneration.

 

publicado por trienaldelisboa às 13:47
permalink | comentar | ver comentários (1)

Intervenções na Cidade - ECO-KIT


 


 ECO-KIT Praça da Alegria/Lisboa

Moov

 

A proposta:

Os vazios urbanos, tal como as cidades onde se inserem, são realidades mutáveis à mercê dos tempos burocráticos, intenções de grupos financeiros ou capacidade de gestão dos seus proprietários. São lugares transitórios que podem durar anos ou até décadas. A nossa proposta reconhece nestas realidades temporárias uma janela de oportunidade para a exploração de programas alternativos, procurando transformar áreas inactivas em territórios produtivos que se constituam como contributos activos para a sustentabilidade do sistema ecológico urbano.

ECO-kit propõe a introdução de um dispositivo adaptável e móvel que se pode implementar e deslocar conforme as necessidades da cartografia variável dos vazios urbanos. Esse dispositivo é materializado numa série de elementos estruturais sobre os quais são montados diversos módulos produtivos que permitem a captação de energia solar, eólica, de água ou o suporte a diversas espécies vegetais.

Em complemento às suas funções produtivas cada conjunto de elementos pode ainda albergar programas complementares como espaços de lazer, áreas wireless e zonas pedagógicas que contribuem para uma intensificação social dos lugares onde são inseridos.

 

O que disse o júri:

Proposta de estrutura “eco-kit” que reclama atenção para as questões da sustentabilidade e das energias renováveis. Estrutura teoricamente adaptável a qualquer vazio urbano, teoricamente transportável, constituída por diversos módulos, mais do que a eficiência terá por mérito reclamar a visibilidade de uma questão inadiável.

 

Contributo para uma reflexão:

O estúdio Moov apresenta esta proposta de uma peça móvel, um objecto entre o design e a arquitectura que serve para integrar vários dispositivos funcionais - captação de energias renováveis, de água ou ainda suporte para plantações. Promove, ao mesmo tempo, um acontecimento urbano que salienta os vazios expectantes e o seu potencial aproveitamento enquanto dinamizadores de novos usos e funções inesperadas.

É uma proposta que se demarca pelo sentido de actualidade e pela versatilidade de uma concepção plausível de apropriação, replicável em qualquer parte da cidade.

 

ECO-KIT Praça da Alegria/Lisboa

Moov

 

The proposal (summary):

Urban voids, like the cities where they can be found, are mutable realities at the mercy of bureaucratic agendas, of the intentions of economic groups, dependant of the capabilities of their owners. They are places of transition that can remain unchanged for years and even decades. Our proposal recognizes these temporary realities as a window of opportunity for the exploration of alternative programs, seeking to transform inactive areas in productive territories that actively contribute to the sustainability of the urban ecological environment.

ECO-kit proposes the introduction of an adaptable, mobile construction that can be implemented and moved in accordance with the specificity of the urban voids. This new element is constructed as a series of structural elements, over which are implemented several modules that allow the installation of solar panels, wind turbines, water recipients or supports for plantation.

In complement to its primary functions, each set of elements can also shelter complementary programs such as leisure spaces, wireless areas and other structures that can be used for the implementation of social activities.

           

What the jury said:

The “eco-kit” structure claims attention for the issues of sustainability and renewable energies. A structure that is, in theory, adaptable to any urban void, transportable and composed by variable modules, it has the merit of reclaiming visibility to urgent matters of urban ecology.

 

Contribute for a reflection:

Moov studio presents this proposal for a mobile piece, an object of design and architecture that integrates several important functions. It also promotes an urban event that reflects on the potential use of urban voids as centres for new uses and unexpected functions.

A noticeable proposal for its sense of authenticity, as a plausible concept that can be replicated in any part of the city.

 

publicado por trienaldelisboa às 09:38
permalink | comentar
Sexta-feira, 4 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade - Doca do Jardim do Tabaco


 

  

Doca do Jardim do Tabaco

Marco Simões da Silva e Daniela Trigo Lopes.

 

A proposta:

O que serão os vazios urbanos se não o próprio reflexo da condição humana e urbana actual, baseado num estilo de vida dotado de flutuação temporal e local, condensado em experiências do aqui e agora. Vazios, com a sua própria temporalidade, com um período de espaço de tempo em que se encontram expectantes, até que a cidade os reabsorva.

Em comparação, um vazio urbano poderá desempenhar o mesmo papel importante que tem um quarto vazio na nossa casa, são os espaços mais flexíveis à espera de novas utilizações, que poderão ter um papel fundamental de contraste com os espaços preenchidos por peças de mobiliário.

É em abstracção, o local onde nos refugiamos dos espaços já formatados nas restantes divisões, um espaço que poderemos utilizar de diferente forma. São estes espaços que nos estimulam a imaginação do que poderia vir a ser, mas que não o é, e que se fosse, passaria a ser outro igual a tantos que nos fazem desejar estes…

 

O que disse o júri:

Esta proposta para a Doca do Jardim do Tabaco, para além de qualificar um espaço actualmente sem grande proveito, tem o mérito da plausibilidade e da vontade expressa de estabelecer uma  relação directa com o Rio Tejo – espaço natural tantas vezes separado da Cidade pelas actividades do porto de Lisboa. Com uma arquitectura “topográfica” reinterpreta a natureza de modo artificial enfatizando o mesmo sentido que uma piscina faz no Tejo.

 

Contributo para uma reflexão:

Uma modelação exterior como grande peça de mobiliário urbano. A cidade com a textura de um quarto vazio é o que propõe Marco Silva e Daniela Lopes, como grande espaço de interacção pública a resolver não por quem o projecta mas por quem o habita. Uma concepção nas franjas da ironia e de um espaço de sonho, para preencher com as nossas vivências ou conquistar escavando refúgios pessoais, no meio da cidade

 

Doca do Jardim do Tabaco

Marco Simões da Silva and Daniela Trigo Lopes

 

The proposal (summary):

What are urban voids if not the very own reflex of the contemporary human and urban condition. Voids; they remain for their own periods of space and time, until the city absorbs them.

In comparison, an urban void could perform the same role as an empty room in a house – for they are the most flexible spaces, awaiting for new uses that can have a contrast function with those spaces that are already filled with urban furniture.

It’s, in abstraction, a place of refuge from the formatted spaces of other divisions, a space that we could use differently. These are the spaces that stimulate our imagination.

 

What the jury said:

This proposal not only qualifies a space that currently carries little use, but also has the plausible merit of willingly establish a direct relation with the Tagus River – a natural space that is often separated from the city. With a “topographic” architecture, it reinterprets its nature with an artificial form.

 

Contribute for a reflection:

An external modulation as a great piece of urban furniture. A city with the texture of an empty room is what’s proposed by Marco Silva and Daniela Lopes, as a big space for public interaction; a space to be resolved not by who conceives it but by those who live in it. A conception in the fringes of irony that is also a dream-landscape, to be filled with our living experiences or conquered, excavating our own personal refuges, in the middle of the city.

 

publicado por trienaldelisboa às 10:29
permalink | comentar
Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade - Arquitectura de Ausência

 

 

Arquitectura de Ausência

Rodolfo Reis com David Abondano e Kenzo Yamashita

 

A proposta:

O desenvolvimento da cidade europeia encontra-se num momento em que o crescimento e configuração urbana atingem o seu limite. A elevada densidade dos centros urbanos tem provocado uma fragmentação das cidades, em que cada um dos seus elementos luta pela sua sobrevivência, tentando conservar a sua identidade dentro da cidade global. Actualmente estamos a viver a “ciudad collage”, que, por um lado nos oferece a riqueza da multiplicidade e da heterogeneidade, mas por outro, asfixia o cidadão por meio de uma efervescência de imagens e mensagens, as quais este é incapaz de assimilar.

É tal a necessidade de espaço nos núcleos urbanos, que os poucos lugares vazios, convertem-se em objectos desejados por especuladores imobiliários, ou noutro caso por pessoas sem alojamento com pretensões ocupas. Isto leva-nos a concluir que os vazios urbanos têm apenas dois destinos: ou a construção de um objecto arquitectónico, preenchendo assim o vazio; ou a sua ocupação indesejável traduzindo-se em deterioração e insegurança.

Mas é realmente o vazio urbano um elemento negativo? A dinâmica urbana actual, impede-nos de ver (sobretudo aos arquitectos) que a cidade se pode construir de uma maneira diferente, passando o vazio urbano a desempenhar um papel fundamental. Neste caso, é o vazio que constrói a cidade dando lugar a um “evento”, deixando de ser um espaço para simplesmente ser edificado.

Este projecto pretende incorpora-se nesta perspectiva, onde “construir é propriamente habitar” *. Com base neste raciocínio intervimos no “vazio” situado em frente ao Chapitô, uma companhia de artes cénicas situada na rua Costa do Castelo. Trata-se de um terreno em encosta contíguo às muralhas do castelo de S. Jorge, sendo delimitado na sua cota inferior por um muro em elevado estado de ruína, camuflado pela vegetação que aleatoriamente ali se desenvolve e por um ou outro graffity…Criando uma confecção entre o Chapitô e o Castelo, este vazio deixa de ser uma simples extensão espacial ou territorial e passa a actuar como espaço que pretende dar lugar a diferentes acontecimentos.

Assim, este percurso permite dar um novo contributo para a cidade, já que o espaço que anteriormente se encontrava vazio, na sua forma e função, passa a ser utilizado como um lugar de confluência, propondo-se a criação de um anfiteatro e de uma galeria de arte, explorando assim as qualidades e identidade do lugar.

Ao manter o vazio, o projecto não compete com os elementos pré-existentes, mas sim potencia-os e atribui-lhes um novo valor. Por meio da geometrizarão da paisagem, recordamos a topográfica da colina sobre a qual se eleva o castelo e parte da cidade. Com este projecto criamos uma forma diferente de aceder e experimentar o castelo, tornando-se mais próxima a relação com o Chapitô, dando-lhes deste modo, uma nova qualidade artística e cenográfica.

Incorporando a heterogeneidade da cidade contemporânea, respeitamos e valorizamos o passado, dando ao cidadão um espaço de refugio dentro da densidade urbana.

*Heidegger, Martin, Construir, habitar, pensar. Tradução de Eustaquio Barjau, in Conferencias y Artículos, Serbal, Barcelona, 1994.

 

O que disse o júri:

Trabalho seleccionado pelo modo como articula a proposta de um novo percurso de acesso ao Castelo de São Jorge, aproveitando parcelas baldias, com a qualificação de um espaço público capaz de proporcionar eventos colectivos e artísticos. A argumentação associada à proximidade do Chapitô assim como a qualidade arquitectónica da proposta de carácter orgânico e sensível à exposição da colina justificaram a selecção.

 

Contributo para uma reflexão:

Modelar um percurso pela encosta preservando o potencial do vazio como espaço de confluência cenográfica, palco para apropriação teatral e artística. O ensaio de Rodolfo Reis, em colaboração com David Abondano e Kenzo Yamashita, faz reflectir a preocupação por uma experiência urbana estilhaçada pelo excesso de fragmentos informativos, advogando o vazio como contraponto possível para o reencontro com experiências de cidade alternativas, em que a arte e a expressão humana possam ter lugar.

 

Architecture of Absence

Rodolfo Reis with David Abondano and Kenzo Yamashita

 

The proposal (summary):

The high density of urban centres is a cause for fragmentation. The need for space inside the city is such that empty places become valuable commodities, desired by real-estate speculators or, in other cases, by citizens looking for temporary refuge. This leads to the conclusion that urban voids have two main fortunes: either the construction of an architectonic object, filling the void; or its undesired occupation, leading to deterioration and insecurity.

But is the urban void such a negative element; or can it play a fundamental role in the construction of a different city. In this case, the void can play a part in the construction the city and become shelter for an “event”.

 

What the jury said:

This work was selected for the way it articulates the proposition of a new access path to the Castle, through abandoned parcels, qualifying a new public space that can serve as a stage to collective and artistic events. The argumentation associated with the proximity of a nearby theatre school (Chapitô), as the architectural quality of the proposal, with organic character and a careful approach to the hill, justified the selection.

 

Contribute for a reflection:

The project shapes a path through the hillside, preserving the potential quality of the void as space of scenic confluence, stage for artistic and theatrical appropriation. This essay by Rodolfo Reis, collaborating with David Abondano and Kenzo Yamashita, reflects a concern for an urban experience that is shattered by the excess of informative fragments. It advocates the void as a counterpart to balance an alternate experience of the city, where art and human expression can take place.

 

publicado por trienaldelisboa às 22:07
permalink | comentar

Intervenções na Cidade - A Cidade como teatro de espectáculos; o vazio como palco de operações

 

 

A Cidade como teatro de espectáculos; o vazio como palco de operações

Maria João Fonseca e Maria Quintino

Imagem de António Bettencourt e Márcio Vilela

 

A proposta

A acção do cidadão enquanto interveniente activo na construção de vivências e espaços é urgente e cada vez mais necessária.

A incapacidade do poder local em manter toda a cidade operacional e funcional é diminuta, estando o desenvolvimento em meio urbano cada vez mais nas mãos de investidores privados e de iniciativas individuais.

Cada cidadão tem o direito de intervir na construção dos espaços da sua cidade, porque a cidade é de todos e é para todos.

1 - Perante as potencialidades e oportunidades que os espaços vazios oferecem, estes têm de ser analisados e pensados no âmbito da contribuição para o contínuo do espaço público na cidade.

2 - A existência de espaços públicos confere um contexto simbólico e um significado à cidade por providenciar pontos de encontro/convívio, caminhos, transições entre domínio público e privado e espaços de discurso e interacção.

3 - A identidade do lugar induz à apropriação e fixação do espaço - as características essenciais são a “imagibilidade” ambiental e a “imagibilidade” social

4 - A acção do cidadão enquanto interveniente activo na construção de vivências e espaços é urgente e cada vez mais necessária. Espaço Público é o espaço comum, pertença ou relativo a todo o cidadão e aberto e acessível a todos. Só faz sentido existir espaço público se ele for apropriado pela população.

5 - Através da acção directa ou da identificação com a estrutura e elementos do local, o cidadão integra o espaço no seu eu.

6 - A mudança física é de mais rápida e fácil exequibilidade que a mudança social. Esta requer uma rede de relações de suporte social característico e identificável capaz de conferir uma identidade comum.

7 - Operando convincentemente em pontos dispersos da malha urbana, num formato padronizado e regular de acção, mais facilmente se estabelecerá uma Identidade Social perante o espaço vazio e a sua apropriação pessoal.

O vazio, um ponto de partida para a interactividade e para a experimentação da acção e dos processos narrativos.

 

O que disse o júri:

Pelo modo como aborda a cidade a partir de uma acção simples e acessível a todos: a plantação de árvores em espaços degradados (como por exemplo o Miradouro da Travessa das Terras do Monte). Através desta acção, a proposta assume um manifesto pela participação colectiva na construção da cidade a partir de pequenos mas simbólicos gestos. A proposta teve ainda o mérito de não se ficar pela teoria.

 

Contributo para uma reflexão:

A proposta de Maria João Fonseca e Maria Quintino assume em pleno o tema desta competição, servindo de motivo a uma genuína intervenção na cidade. Como exemplo específico de uma acção com contornos de “guerrilla gardening”, pela apropriação de um espaço e fazendo dele local de uma ocorrência pública e social. Mas o debate que é lançado por esta feliz provocação vai muito para lá da especificidade do gesto que se ensaia. Abre-se assim uma reflexão sobre o carácter social dos espaços da cidade – o vazio entendido não como território de ninguém, mas antes como pertença de todos num sentido de responsabilidade colectiva.

Promove-se assim uma consciência pela necessidade de participação, com contornos que não se limitam ao domínio da acção pública, mas que seja igualmente aberto à intervenção dos agentes privados e, no limite, à acção dos próprios cidadãos sobre o espaço colectivo.

Tornar a cidade num palco de iniciativa; tornar o vazio num mundo de oportunidades únicas, transformando o nosso redor por gestos concretos que nos tornam a todos agentes da construção de um território vivo e fértil, onde a comunidade pode verdadeiramente acontecer.

 

The city as a performance theatre; the void as stage of operations

Maria João Fonseca and Maria Quintino

Images by António Bettencourt and Márcio Vilela

 

The proposal:

Active involvement of citizens as participants in the construction of living spaces is urgent and increasingly necessary.

Local administration is often powerless to maintain the whole city operational and functional, leaving the development of urban areas in the hands of private investors and individual initiatives.

Each citizen has the right to intervene in the construction of spaces in his city, for the city belongs to all and is meant for all.

1 – In the awareness of the potential opportunities that these urban voids have to offer, they should be analysed and thought upon as possible contributions to the continuity of the city’s public space.

2 – The existence of public spaces offers a symbolic context and a meaning to the city, providing points of gathering and interaction, transitions between the public and private realms.

3 – The identity of the place relies on its cultural expression.

4 – The citizen’s action while dynamic intervenient in the construction of living memories and spaces is urgent and necessary. The Public Space is the space of the community, as it belongs to every citizen, open and accessible to all. The true sense of a public space relies on its appropriation by the public.

5 – Through direct action, identifying urban structures and elements, the citizens integrate those spaces as a part of themselves.

6 – Physical change is easier to achieve than social change, for this requires a net of relationships that sustain a common identity.

7 – Operating on scattered places of the urban grid, in a patterned and regular form of action, will create a Social Identity over the empty space.

The void, a starting point towards interaction and experimentation in the making of narrative processes.

 

What the jury said:

For the way it addresses the city through a simple action that is accessible to all: tree planting in degraded spaces. Through this action, the proposal assumes a manifest for collective participation in the construction of the city, through small but symbolic gestures.

The proposal was not simply theoretical, therefore receiving an added consideration on its merits.

 

Contribute for a reflection:

This proposal by Maria João Fonseca and Maria Quintino takes the theme of the competition to its fullest, motivating a genuine intervention in the city. As a specific example of “guerrilla gardening”, by the appropriation of a particular space, it serves as motive to a public and social happening. But the debate it raises goes beyond the specificity of this gesture. An argument is made on the social character that is inherent to the spaces of the city – to understand the void not as a no-man’s land but as a good that belongs to all and encloses a collective responsibility. Demanding a greater awareness towards the recovery of these voids, the subtext of this proposal reclaims the participation of both public and private agents. To make the city a platform for initiative; to turn the void into a place of unique opportunities, transforming our surroundings through tangible gestures, to generate a living and fertile territory where a communitarian existence can ultimately happen.

 

publicado por trienaldelisboa às 10:37
permalink | comentar
Terça-feira, 1 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade – 2ª Circular

 

 

A Segunda Circular

Ateliermob - Arquitectura, Design e Urbanismo, Lda

 

A proposta:

A 2ª Circular é um eixo viário que se esgota de dia para dia. Embora procure funcionar como uma via rápida dentro da cidade, os frequentes congestionamentos, impedem que seja utilizada enquanto tal.

Ficamos assim, praticamente no centro de Lisboa, com um elemento urbano que se constitui como um muro para o normal funcionamento das malhas e do desenho urbano. Propõe-se o desmantelamento progressivo da 2a circular (assim que a CRIL estiver terminada), dentro de um tecido urbano que ao longo dos anos se poderá vir a sedimentar à custa da ocupação desse enorme vazio que rasga a cidade de Lisboa.

 

O que disse o júri:

Proposta que tem por mérito questionar o sentido da 2ª circular, o seu carácter agressivo e inultrapassável. Argumenta-se no sentido da sua domesticação, de lhe atribuir uma escala mais propensa a uma ideia de cidade em que habitação coexiste com circulação automóvel.

 

Contributo para uma reflexão:

Resgatar um espaço fracturante da cidade e devolvê-lo a um uso mais humano é o que se propõe nesta concepção do ateliermob. O local de intervenção é inesperado – referenciar o vazio de uma via rápida congestionada. É, afinal, do vazio funcional dessa falha urbana que se trata, da mega-rede viária que fractura o espaço contínuo de uma cidade mais desejada. Fica a interrogação sobre uma cidade para lá do automóvel, capaz de recompor o seu tecido funcional, reconstruindo e sedimentando o seu interior – e fazendo pensar que uma outra cidade é possível.

 

2nd Circular

Ateliermob - Arquitectura, Design e Urbanismo, Lda

 

The proposal:

2nd Circular is a major road axis that is overcrowded day after day. Although it is intended to work as a fast lane inside the city, that function is made impossible as a result of its frequent traffic congestions.

It becomes a wall inside the city centre. The proposal aims to progressively dismantle this urban road, regaining this enormous void that tears the city as part of the urban fabric.

 

What the jury said:

The proposal has the merit of questioning the sense of this major road axis, its aggressive and insurmountable character. An argument is made in the sense of its taming, attributing a more adjustable scale to the idea of a city where housing coexists with the road circulation.

 

Contribute for a reflection:

To recover the fractured space of the city and return it to a more humane use is what lies in this proposal by ateliermob. The location is unexpected – to reference the void of a heavily pressed fast lane. It addresses the functional void of this urban rupture, the mega-networks that shatter the continuous space of a more desirable city. It is an interrogation that lingers as a dream of a city beyond the automobile, capable of recreating its functional skin, of reconstructing from within – of wondering that another city is possible.

 

publicado por trienaldelisboa às 14:49
permalink | comentar
Sábado, 28 de Abril de 2007

Intervenções na Cidade – Projectos seleccionados | Interventions in the City – Selected projects

 

Durante os próximos dias serão apresentados aqui no blog da Trienal os 15 projectos seleccionados no âmbito do Concurso Intervenções na Cidade.

Propostas diversas que abordam o problema dos Vazios Urbanos, são ideias que incentivam à reflexão sobre espaços distintos da cidade e formas alternativas de olhar os seus territórios de abandono ou de conflito.

Será uma oportunidade para conhecer e debater os trabalhos dos participantes que, com originalidade e irreverência, responderam a este desafio. Fiquem atentos.

 

The contest of ideas “Interventions in the City” encouraged architects and citizens to present proposals for degraded spaces of the city of Lisbon, thus contributing to their recovery in benefit of a public use. The 15 selected projects will now be presented here on the Triennale’s blog.

Different ideas that address the problem of Urban Voids, they are an incentive for reflection on alternative ways of occupying these territories of abandon and conflict.

It will be an opportunity to discover and debate the projects of the participants that have answered this challenge with originality and irreverence.

 

publicado por trienaldelisboa às 23:24
permalink | comentar
Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

Intervenções na Cidade: anúncio de resultados


 
publicado por trienaldelisboa às 16:39
permalink | comentar
Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Intervenções na Cidade

Foram revelados em sessão pública realizada no dia 3 de Abril, no Cinema São Jorge, em Lisboa, os 15 projectos seleccionados no âmbito do Concurso Intervenções na Cidade. Com mais de centena e meia de propostas recebidas, este tornou-se o concurso organizado pela Ordem dos Arquitectos mais participado de sempre.

Tendo como principal objectivo incentivar a reflexão sobre os espaços urbanos de Lisboa, o desafio lançado aos concorrentes passava pela concepção de ideias criativas na apropriação de locais passíveis de requalificação em benefício de um uso público ou colectivo. Pela natureza do próprio tema – Vazios Urbanos – as propostas incidiram sobre espaços complexos, por vezes abandonados, outras funcionalmente conflituosos, mas quase sempre marcados pela disfuncionalidade da sua vivência enquanto cidade.

Os projectos apurados revelam a enorme diversidade de abordagens possíveis, mantendo em comum os traços de originalidade e irreverência na procura de soluções reactivas e provocadoras. Estas propostas serão âmbito de exposição pública através de painéis de grandes dimensões a instalar nos locais para os quais foram pensadas, enquanto decorrer a Trienal.

A lista completa de propostas seleccionadas pode ser consultada na página web da Trienal, estando os trabalhos e o relatório do júri disponíveis para consulta na Sede da Ordem dos Arquitectos.

 

Contamos fazer, durante as próximas semanas, a apresentação dos vários trabalhos escolhidos, abrindo o espaço para uma reflexão mais aprofundada.

 

publicado por trienaldelisboa às 23:29
permalink | comentar


trienal de arquitectura de lisboa
lisbon architecture triennale

_
_

sobre / about

A Trienal de Arquitectura de Lisboa, a realizar entre 31 de Maio e 31 de Julho, pretende constituir-se como um “Festival” de arquitectura participado pela comunidade local para atrair um público internacional (mais informação em trienaldelisboa.sapo.pt).
O Blogue da Trienal dará uma cobertura actualizada e participada de todos os acontecimentos do evento.

_
The International Architecture Triennale of Lisbon 2007, happening between May 31 st and July 31 st, aims to become a ‘Festival’ of architecture, participated by the local community and able to attract an international audience (find more in trienaldelisboa.sapo.pt).

destaques / highlights


_

_
Vazios Urbanos / Urban Voids
Catálogo expositivo, Caleidoscópio.
Exhibition catalog, Caleidoscópio.

_

_

_
Espaço / Space
Música de Mário Laginha. Em concerto, Culturgest, 26 de Junho. CD já à venda.
Music by Mário Laginha. In concert, Culturgest, June 26th. CD out now.

notícias / news (pt)

_
Vittorio Gregotti recebe Prémio Trienal Millenniumbcp 2007-07-30
_
Encerramento da Trienal no exterior do Pavilhão 2007-07-27
_
Outdoors das Intervenções da Cidade já estão na rua 2007-07-27
_
Farol Museu de Santa Marta inaugura amanhã 2007-07-26
_
Cavaco Silva entrega Prémio Trienal Millenniumbcp 2007-07-25
_
Lisboscópio na Gulbenkian até 12 de Agosto 2007-07-23
_
Ordenamento do território em debate 2007-07-23
_
Exposição Siza Vieira prolongada até dia 9 2007-07-23
_
Arte Pura cancela apresentação 2007-07-19
_
Aires Mateus, Frederico Valssassina, Gonçalo Byrne e Nuno Mateus apresentam projectos imobiliários 2007-07-16
_
Princesa do Luxemburgo visita Trienal 2007-07-17
_
Projectos de empresas no Fórum Trienal 2007-07-16
_
Luca Barbero na Gulbenkian 2007-07-16
_
Conferência sobre Médio Tejo no Fórum Trienal 2007-07-16
_
Dia do Japão na Trienal 2007-07-14
_
Intervenções na Cidade no Fórum e na rua 2007-07-14
_
Trienal em Cascais 2007-07-13
_
Trienal grátis no dia 15 2007-07-12
_
Resultados Concurso de Ideias Galp 2007-07-06
_
Desertificação urbana no Fórum Trienal 2007-07-06
_
Livro de Rui Tavares no Lounge Trienal 2007-07-06
_
13 de Julho: Dia da França na Trienal 2007-07-05
_
Palestras brasileiras na Trienal 2007-07-03
_
Prémios e debates no Fórum Trienal 2007-07-02
_
Arquitectura virtual a 4 Julho 2007-07-02
_
A caminho do país das maravilhas 2007-07-02
_
Candidatos à CML visitam Trienal 2007-07-02
_
Visita à Trienal a partir do Porto 2007-07-02
_
Trienal promove visitas guiadas 2007-06-28
_
Uma Bolha de Neve no Pavilhão de Portugal 2007-06-28
_
Vencedores do Concurso Trienal Universidades 2007-06-27
_
Nunes Correia na Trienal de Lisboa 2007-06-27
_
Festa de Encerramento dos Encontros A&M 2007-06-26
_
Frentes de Coesão no Fórum Trienal 2007-06-26
_
Scape na Culturgest 2007-06-25
_
Frentes de Terra no Fórum Trienal 2007-06-21
_
Entrega dos prémios APDL 2007-06-20
_
Fórum Trienal inaugura hoje 2007-06-20
_
Paulo Mendes da Rocha na Trienal 2007-06-19
_
Teatro, música, cinema e conferências no Dia da Irlanda 2007-06-18
_
Rafael Toral na Gulbenkian 2007-06-18
_
Resultados Concurso Núcleo Universidades 2007-06-18
_
Visitas guiadas à Trienal 2007-06-18
_
Candidatos à CML visitam Trienal 2007-06-18
_
Pólo III da Trienal inaugura amanhã 2007-06-14
_
Concurso Médio Tejo em exposição itinerante 2007-06-13
_
Conferência de Siza Vieira no CCB 2007-06-12
_
Itinerário do Sal na Gulbenkian 2007-06-10
_
Pólo II da Trienal inaugura hoje 2007-06-10
_
Diogo Seixas Lopes na Conferência Internacional 2007-06-08
_
Saskia Sassen na Conferência Internacional 2007-06-05
_
Mark Wigley na Conferência Internacional 2007-06-03

links

_
Trienal de Arquitectura de Lisboa
_
Trienal Flickr Pool
_
OASRS
_
OASRN
_
Arquitectos.pt
_
Road to Wonderland
_
Galeria Luís Serpa
_
Kubik Lisboa
_
Cultour
_
Arquitectura.pt
_
Portal Vitruvius

tags

todas as tags

 

arquivos / archives

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

artigos recentes / recent posts

Outdoors das Intervenções...

Debate Intervenções na Ci...

Intervenções na Cidade vã...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade - ...

Intervenções na Cidade - ...

Intervenções na Cidade - ...

Intervenções na Cidade - ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade – ...

Intervenções na Cidade: a...

Intervenções na Cidade

email

trienal.blog@oasrs.org

blogger

Daniel Carrapa
RSS