Quarta-feira, 2 de Maio de 2007

Intervenções na Cidade - Arquitectura de Ausência

 

 

Arquitectura de Ausência

Rodolfo Reis com David Abondano e Kenzo Yamashita

 

A proposta:

O desenvolvimento da cidade europeia encontra-se num momento em que o crescimento e configuração urbana atingem o seu limite. A elevada densidade dos centros urbanos tem provocado uma fragmentação das cidades, em que cada um dos seus elementos luta pela sua sobrevivência, tentando conservar a sua identidade dentro da cidade global. Actualmente estamos a viver a “ciudad collage”, que, por um lado nos oferece a riqueza da multiplicidade e da heterogeneidade, mas por outro, asfixia o cidadão por meio de uma efervescência de imagens e mensagens, as quais este é incapaz de assimilar.

É tal a necessidade de espaço nos núcleos urbanos, que os poucos lugares vazios, convertem-se em objectos desejados por especuladores imobiliários, ou noutro caso por pessoas sem alojamento com pretensões ocupas. Isto leva-nos a concluir que os vazios urbanos têm apenas dois destinos: ou a construção de um objecto arquitectónico, preenchendo assim o vazio; ou a sua ocupação indesejável traduzindo-se em deterioração e insegurança.

Mas é realmente o vazio urbano um elemento negativo? A dinâmica urbana actual, impede-nos de ver (sobretudo aos arquitectos) que a cidade se pode construir de uma maneira diferente, passando o vazio urbano a desempenhar um papel fundamental. Neste caso, é o vazio que constrói a cidade dando lugar a um “evento”, deixando de ser um espaço para simplesmente ser edificado.

Este projecto pretende incorpora-se nesta perspectiva, onde “construir é propriamente habitar” *. Com base neste raciocínio intervimos no “vazio” situado em frente ao Chapitô, uma companhia de artes cénicas situada na rua Costa do Castelo. Trata-se de um terreno em encosta contíguo às muralhas do castelo de S. Jorge, sendo delimitado na sua cota inferior por um muro em elevado estado de ruína, camuflado pela vegetação que aleatoriamente ali se desenvolve e por um ou outro graffity…Criando uma confecção entre o Chapitô e o Castelo, este vazio deixa de ser uma simples extensão espacial ou territorial e passa a actuar como espaço que pretende dar lugar a diferentes acontecimentos.

Assim, este percurso permite dar um novo contributo para a cidade, já que o espaço que anteriormente se encontrava vazio, na sua forma e função, passa a ser utilizado como um lugar de confluência, propondo-se a criação de um anfiteatro e de uma galeria de arte, explorando assim as qualidades e identidade do lugar.

Ao manter o vazio, o projecto não compete com os elementos pré-existentes, mas sim potencia-os e atribui-lhes um novo valor. Por meio da geometrizarão da paisagem, recordamos a topográfica da colina sobre a qual se eleva o castelo e parte da cidade. Com este projecto criamos uma forma diferente de aceder e experimentar o castelo, tornando-se mais próxima a relação com o Chapitô, dando-lhes deste modo, uma nova qualidade artística e cenográfica.

Incorporando a heterogeneidade da cidade contemporânea, respeitamos e valorizamos o passado, dando ao cidadão um espaço de refugio dentro da densidade urbana.

*Heidegger, Martin, Construir, habitar, pensar. Tradução de Eustaquio Barjau, in Conferencias y Artículos, Serbal, Barcelona, 1994.

 

O que disse o júri:

Trabalho seleccionado pelo modo como articula a proposta de um novo percurso de acesso ao Castelo de São Jorge, aproveitando parcelas baldias, com a qualificação de um espaço público capaz de proporcionar eventos colectivos e artísticos. A argumentação associada à proximidade do Chapitô assim como a qualidade arquitectónica da proposta de carácter orgânico e sensível à exposição da colina justificaram a selecção.

 

Contributo para uma reflexão:

Modelar um percurso pela encosta preservando o potencial do vazio como espaço de confluência cenográfica, palco para apropriação teatral e artística. O ensaio de Rodolfo Reis, em colaboração com David Abondano e Kenzo Yamashita, faz reflectir a preocupação por uma experiência urbana estilhaçada pelo excesso de fragmentos informativos, advogando o vazio como contraponto possível para o reencontro com experiências de cidade alternativas, em que a arte e a expressão humana possam ter lugar.

 

Architecture of Absence

Rodolfo Reis with David Abondano and Kenzo Yamashita

 

The proposal (summary):

The high density of urban centres is a cause for fragmentation. The need for space inside the city is such that empty places become valuable commodities, desired by real-estate speculators or, in other cases, by citizens looking for temporary refuge. This leads to the conclusion that urban voids have two main fortunes: either the construction of an architectonic object, filling the void; or its undesired occupation, leading to deterioration and insecurity.

But is the urban void such a negative element; or can it play a fundamental role in the construction of a different city. In this case, the void can play a part in the construction the city and become shelter for an “event”.

 

What the jury said:

This work was selected for the way it articulates the proposition of a new access path to the Castle, through abandoned parcels, qualifying a new public space that can serve as a stage to collective and artistic events. The argumentation associated with the proximity of a nearby theatre school (Chapitô), as the architectural quality of the proposal, with organic character and a careful approach to the hill, justified the selection.

 

Contribute for a reflection:

The project shapes a path through the hillside, preserving the potential quality of the void as space of scenic confluence, stage for artistic and theatrical appropriation. This essay by Rodolfo Reis, collaborating with David Abondano and Kenzo Yamashita, reflects a concern for an urban experience that is shattered by the excess of informative fragments. It advocates the void as a counterpart to balance an alternate experience of the city, where art and human expression can take place.

 

publicado por trienaldelisboa às 22:07
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trienal de arquitectura de lisboa
lisbon architecture triennale

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sobre / about

A Trienal de Arquitectura de Lisboa, a realizar entre 31 de Maio e 31 de Julho, pretende constituir-se como um “Festival” de arquitectura participado pela comunidade local para atrair um público internacional (mais informação em trienaldelisboa.sapo.pt).
O Blogue da Trienal dará uma cobertura actualizada e participada de todos os acontecimentos do evento.

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The International Architecture Triennale of Lisbon 2007, happening between May 31 st and July 31 st, aims to become a ‘Festival’ of architecture, participated by the local community and able to attract an international audience (find more in trienaldelisboa.sapo.pt).

destaques / highlights


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Vazios Urbanos / Urban Voids
Catálogo expositivo, Caleidoscópio.
Exhibition catalog, Caleidoscópio.

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Espaço / Space
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Music by Mário Laginha. In concert, Culturgest, June 26th. CD out now.

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