Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

Elizabeth Diller – High Line

 

 

 

The High Line é o nome de uma ferrovia elevada que se estende por milha e meia ao longo do lado oeste de Manhatan. Construída na década de 1930, foi um dos maiores investimentos da cidade em infraestruturas de transportes.

 

Em 1847 a Cidade de Nova Iorque autorizou a travessia da via férrea através de Manhatan para permitir o transporte de mercadorias até Albany. Á medida que o tráfego se foi intensificando na nova linha, os acidentes começaram a surgir entre comboios e pedestres, cavalos e outras viaturas. As fatalidades tornaram-se tão frequentes que a 10ª Avenida se tornou conhecida como a “Avenida da Morte”. Finalmente, homens a cavalo tinham de caminhar em frente ao comboio a baixa velocidade acenando bandeiras. Chamaram-lhes os West Side Cowboys.

A High Line nasceu após anos de debate público sobre as condições perigosas do circuito ferroviário da cidade. A estrutura foi projectada para percorrer através dos quarteirões e ter acesso directo a fábricas e armazéns, permitindo aos comboios a ligação para carga e descarga sem implicações ao nível da rua.

Na década de ’50 o crescimento dos transportes rodoviários conduziu ao declínio da ferrovia e, consequentemente, ao progressivo abandono da High Line. Várias secções da estrutura foram demolidas em 1960 e a circulação de comboios seria definitivamente interrompida em meados da década da ’80.

Enfrentando diversas ameaças de demolição desde essa altura, a High Line tornou-se motivo de uma nova consciência a favor da sua preservação como exemplar único de arqueologia pós-industrial. Em 1999 foi fundada a associação Friends of the High Line, um grupo de defesa favorável à sua reutilização enquanto espaço aberto ao público.

 

É este longo movimento cultural da cidade que motivou o concurso para a reconversão da High Line. A proposta vencedora é da autoria da firma de arquitectura Diller Scofidio + Renfro, em colaboração com a Field Operations. Foi este projecto que Elizabeth Diller apresentou na Conferência Internacional da Trienal de Arquitectura de Lisboa, como exemplo específico de reconversão de um vazio urbano atípico – um espaço público suspenso e longilíneo de difícil apropriação mas que se viria a revelar fértil de possibilidades.

 

A renovada High Line é um exercício de ecologia urbana. A extensa plataforma abandonada foi sendo apropriada por uma vegetação selvagem, tornando-se um ecossistema rico e desregulado – um ambiente melancólico que a natureza reclamou para si. Elizabeth Diller descreveu o laborioso processo de reconstituição de um espaço enquanto instrumento de reflexão sobre conceitos de lazer e cultura. O plano elevado revela-se agora como espaço modulado em categorias de “natureza” e “tempo”, combinando a vida vegetal com fluxos pedestres numa estratégia de “agri-tectura” que conjuga materiais orgânicos e sintéticos. Um parque suspenso marcado pela lentidão, a espontaneidade, o íntimo e o hiper-social, de que transparece o balanço entre uma nova ambiência humana e o carácter preservado do antigo High Line.

 

 

 

 

 

Built in the 1930’s, the High Line is an elevated railroad spur stretching 1.45 miles along the Westside of Manhattan.

In 1847, the City of New York authorized the street-level railroad tracks running down Manhattan to allow freight to run between New York City and Albany. As the traffic started to circulate on the new line, accidents began occurring between trains, pedestrians, horses and other traffic. Fatalities were so frequent that 10th Avenue became known as "Death Avenue". Men on horses had to ride in front of trains waving flags. They were called the West Side Cowboys.

The High Line was built after years of public debate about these hazardous conditions. The structure was designed to go through the center of blocks, rather than over the avenue, to avoid creating the negative conditions associated with elevated subways. It connected directly to factories and warehouses, allowing trains to roll right inside the buildings. Manufactured goods could come and go without causing any street-level traffic.

In the 1950s, the rise of interstate trucking led to a decline of rail traffic on the High Line. Parts of it were torn down in the 1960s, and trains stopped running on it in 1980.

Facing several threats of demolition since then, the High Line became the focus of a new public conscience, in appreciation of its value as an important example of post-industrial archeology. In 1999 Friends of the High Line was founded to advocate for the High Line's preservation and reuse as a public open space.

This extensive cultural movement became the foundation to a design competition aiming for its recovery. The winning proposal is authored by the architectural firm Diller Scofidio + Renfro in collaboration with Field Operations. The project was presented by Elizabeth Diller at the International Conference of the Lisbon Architecture Triennale, as a particular example of an atypical urban void – a suspended public space of difficult appropriation but fertile in its potential use.

The renewed High Line is an exercise on urban ecology. The long abandoned platform was dominated by wild vegetation, becoming a rich and unruled ecosystem – a melancholic environment that nature reclaimed for itself. Elizabeth Diller explained the laborious process of reconstruction of the space as an instrument of city culture and leisure. The elevated plane now becomes a modulated space, with different categories of “nature” and “time” that combine plant life with pedestrian flows in a strategy of agri-tecture, merging organic and synthetic materials. A suspended park defined by slowness, spontaneity, the intimate and the hyper-social, in a balance between a new public life and the preserved character of the High Line.

 

References:

Diller Scofidio + Renfro

Field Operations

Friends of the High Line

 

Videos:

The High Line

GOOD Mag Presents: Edward Norton and the High Line

 

publicado por trienaldelisboa às 18:50
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sobre / about

A Trienal de Arquitectura de Lisboa, a realizar entre 31 de Maio e 31 de Julho, pretende constituir-se como um “Festival” de arquitectura participado pela comunidade local para atrair um público internacional (mais informação em trienaldelisboa.sapo.pt).
O Blogue da Trienal dará uma cobertura actualizada e participada de todos os acontecimentos do evento.

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The International Architecture Triennale of Lisbon 2007, happening between May 31 st and July 31 st, aims to become a ‘Festival’ of architecture, participated by the local community and able to attract an international audience (find more in trienaldelisboa.sapo.pt).

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